domingo, 7 de março de 2010

Ponto de vista

Lembrou que hoje era dia de decidir. Muito tempo passou, mas ele ainda não sabia o que fazer. Pobre daqueles que não podem escolher, muitas vezes não têm uma opção sequer. Ele, então, resolveu ir passear. Procurou um lugar que pudesse lhe iluminar. Caminhou em direção ao cais, melhor lugar para admirar o luar. Pediu ajuda aos seus anjos da guarda. Esse momento definiria como seria, no mínimo, os próximos cinco anos de sua vida.

O que priorizar: carreira, família - inclusive a que ele pretendia construir - ... Ou tentar conciliar tudo, continuar da maneira que ele vinha fazendo? Ele conversava, apesar de estar sozinho. As respostas eram silenciosas. Na sua balança o equilíbrio não existia. Ela não parava de oscilar. Era evidente que a oportunidade que apareceu ia além de tudo que ele sonhava. Renderia uma vida muito confortável, dinâmica e aventureira. No entanto, ele não poderia levar consigo o seu grande amor. O ofício exigiria um estilo de vida nômade e talvez ela não estivesse disposta a abandonar seus planos e sonhos para viver a vida dele.

Chegou a hora de contar sobre sua decisão. Por telefone, disse que precisava conversar sobre algo importante. Ele não estava certo do que estava fazendo. As horas que antecederam o encontro foram angustiantes. Pegou o carro e foi em direção ao local combinado. Durante todo trajeto ele chorava de soluçar. Parecia uma criança, sem nenhuma proteção. O medo juntava-se ao desespero. Ele temia a reação que ela poderia ter.

Ficaram frente a frente. Seus olhos estavam marejados. Ela estava ansiosa. Não demorou e ele disse o que precisava. Aos prantos, ela não acreditava. Perguntava os por quês, chamava-o de egoísta e lhe atribuia o término dos seus sonhos. Ele ficou muito desapontado. Não entendia como uma pessoa, que dizia amá-lo, dissera-lhe tantas barbaridades. A partir disso, ele refez seu conceito de egoísmo.

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