terça-feira, 9 de março de 2010

Colorindo a vida

Chovia muito. Ela precisava chegar ao colégio. Era dia de sua última avaliação do ano. Passou as últimas semanas estudando, de modo que nunca havia feito antes. Tinha a oportunidade de entrar de férias logo após a prova. Diga-se de passagem, quando voltasse não mais seria ao colégio, mas sim -- se tudo desse certo -- à universidade. Tentará ser desenhista. Criar situações mais bonitas do que estava acostumada a ver no dia-a-dia era o seu sonho. Durante muito tempo, também pensou em ser professora. Queria ensinar tudo aquilo que aprenderia durante a vida às crianças -- outra adoração que possui. Mas a paixão pela criação falou mais alto e ela decidiu que vai aprender e se aperfeiçoar em colorir as imagens que voam de sua mente em direção ao papel.

Entrou no metrô temerosa que não desse tempo de chegar ao colégio. O ônibus havia atrasado por conta do engarrafamento. Uma senhora que estava sentada ao seu lado, percebendo sua aflição, indagou-lhe o motivo. Após ficar sabendo, abriu um sorriso sereno e tentou confortá-la. Disse-lhe que quando tudo parece perdido é que nos superamos e fazemos o que precisamos com mais sabedoria. E que as pessoas do bem recebem ajuda donde nem imaginam ser possível. Apesar das palavras bonitas e do ar de confiança transmitidos pela anciã, ela continuava ansiosa. Foi, então, que resolveu colocar no papel a ilustração de tudo que passava pela sua cabeça. Ao final do desenho, o que podia se observar não era nada pessimista. Via-se uma garota, carregando uma pasta, muito bem vestida, dirigindo-se a uma reunião de negócios. Era o sonho mostrando-se mais forte do que o pesadelo. Ela tinha o dom de transformar as situações difíceis pela quais passava num futuro idealizado. Isso através da arte que lhe acompanhava, que para ela era onde morava a verdade.

Desceu do metrô e correu como se fosse uma velocista profissional. Chegou a sala de prova alguns minutos atrasada. A professora abriu uma exceção e permitiu que ela fizesse a prova. O resultado nem precisa ser dito. A senhora já havia "profeciado".

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