Ouvi um dia desses que só é possível esquecer uma mulher quando a transformamos em literatura. Gostei muito da frase, mais ainda do contexto em que ela foi dita. Acredito, porém, que essa não seja uma boa idéia para o esquecimento. Fazendo isso, congela-se a história para sempre. Literatura é para ser lida, e mesmo que para ninguém fosse mostrado, o efeito prático seria a perpetuação. Momento bom para transformá-la num texto, seria quando se tivesse a intenção de lembrar uma época bacana, diante de uma situação que não envolvesse lamentos e tormentos. E foi nessas circunstâncias que a frase foi proferida.
Outra coisa muito sábia que li foi a definição de saudade. Segundo o autor, saudade tem algo de auto-acusação e arrependimento. Pareceu-me meio óbvio o que ele quis dizer, mas depois de muito pensar sobre isso, me embaracei. Imaginei que ele pudesse estar acusando-se. Em outro momento, pensei em algo ligado a reconhecimento. Talvez tenha vivenciado algo que foi tão legal e poderia ter aproveitado com mais intensidade. São tantas interpretações possíveis... Poder conjecturar sobre o que os outros escrevem é maravilhoso. Sobre o que os outros dizem também é bacana, mas perde para o que lemos. Às vezes é chato, porque ao vivo as falas são complementadas por expressões faciais, entonações... Quem ouve entende o que quer e nem sempre lhe dar o direito de contradizê-la.
Esquecimento... Saudade... Recordações. Outra definição para saudade: "presença dos ausentes". Fantástica! Então, para arrematar, junto o esquecimento com a saudade, numa outra definição mágica. Essa é do mesmo autor da definição do segundo parágrafo. " A melhor medicina contra saudade é a falta de memória". Se ficou curisosa(o), procure saber quem disse isso. E se tiver tempo, leia tudo que ele escreveu durante sua vida. Vale a pena!
segunda-feira, 22 de março de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário