domingo, 31 de janeiro de 2010

Meu irmão

Hoje era dia dele partir. A decisão foi construída durante um longo processo de reflexão. Ele sabia que a vida por onde ele estava já não tinha muito a lhe ofertar. Os últimos anos de sua vida foram de muito aprendizado. Ele tornou-se um cara bastante culto, intensamente tolerante -- o que muitas vezes soava como desleixo ou indiferença --, mas por outro lado deixou que a frieza tomasse conta de suas relações com seus amigos. A todo o momento ele era buscado, mas convencê-lo de estar presente era complicado. As feridas de outra época pareciam que ainda não estavam curadas, por mais que ele sempre fizesse questão de dizer que tudo havia sido superado. Um grande amigo seu havia falhado certa época, não respeitando suas decisões e atitudes. Foi uma forma desesperada de tentar contribuir para que o rumo seguido fosse outro, mas a tentativa não só fracassou como também o decepcionou. Mas esse amigo sempre pecou por tentar demais, ser insistente e briguento com aquilo que ele acreditava. Sempre temeu errar por se omitir. Com o amadurecimento percebeu que a "ajuda" só pode ser dada quando é solicitada. O que pode ser feito é apresentar-se como opção, demonstrar que o ombro amigo sempre está à disposição. Jamais negar amizade por não ser correspondido em sua cooptação. O tempo é o remédio para grande parte das coisas. E com o passar dele os amigos puderam trocar novas idéias, dar e pedir opiniões sobre suas vidas. Era evidente que a relação tinha mudado. Nada que decepcionasse um ou o outro. Amizade de verdade é eterna. E o camarada sabe que quando precisar vai encontrar o velho amigo com facilidade... Sempre acessível.

Queria te dizer que a busca por novos lares, amigos, rotinas, amores, trabalhos, aprendizados e pelo desconhecido é o melhor remédio para o sentimento de já ter vivido o suficiente para acreditar que nada irá mudar. Não são palavras de quem tem certeza de que isso é fato, mas sim de quem uma vez fez isso e viu sua vida mudar definitivamente. Diga-se de passagem, para melhor. Tenha fé em suas escolhas e deixe o coração aberto para o que há de vir!

Boa sorte, rapá. Leve com você a energia de quem torce muito para que tudo ocorra da melhor maneira possível. Seu amigo te ama.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sambe desse jeito

Esperar, esperar
Não resta outra coisa a fazer
Acho que você gostou
Mas nem pensa em me dizer
Tudo bem, eu sou bem paciente
De vez em quando até que sou insistente
No entanto, se pensar que não fiz o suficiente
Saio correndo e volto a fazer, até que você fique contente
Não me interessa se é necessário
Eu não estou na vida para ser um falsário
Faço, ou pelo menos tento fazer, tudo que me dá na mente
Independentemente se aquilo te deixa sorridente
Jamais quero que você se entristeça
Por mais que eu enlouqueça
Sempre desejarei vê-la feliz
Aconteça o que aconteça
Não tenho medo de ser repetitivo
Nem passar por imaturo
Tento sempre ser intuitivo
Mesmo que isso não seja muito seguro
Por fim, entenda de uma vez
Que esse jeito é a minha sensatez.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fazer o que tem de ser feito

Vou te procurar
Dar sinal de vida
Mas pensando bem
Pode não ser a saída

Acho que envelheci cedo
Porque para todo lampejo
Como também todo desejo
Quero a realização e não um segredo

Vida em livro aberto
Algo difícil de dar certo
Vejo que omitir é importante
Diante de tudo que parece tão distante

Mas facilidade é bobagem
O legal é a complicação
Que serve como engrenagem
E no final aumenta a satisfação.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Comer-Comer

Momento importantíssimo do dia: hora do almoço. Comer em casa ou na rua? A primeira opção implica em dedicação, tempo e coragem (para lavar toda a louça depois). Já a segunda é mais convidativa. Tudo prontinho, muitas opções e tempero mais gostoso do que o que você sabe fazer. Se a mania pegar, o bolso começará a chiar. Meio que caminho sem volta. Ou volta com muita amargura!

De tanto cozinhar, uma hora a manha é pega. Surgem as invenções, os improvisos e por fim o orgulho de ter cozinhado uma comida apetitosa e bacana. O drama é que a variedade ainda não é aquela desejada. A dieta não fica balanceada. E a rua continua a convidar...

Depois de muito pensar, chega-se a conclusão de sempre: nem tanto a esquerda, nem tanto a direita. Dia come-se em casa, no outro procura-se restaurante. Comer fora de casa pode significar ir à casa de um parente, um amigo. É aquele velho sem-vergonhismo. Porque os convites são mais escassos do que a necessidade.

O bolso apertou. Sair não dava mais. Foi então que apareceu o salvador da pátria. O amigo -- metido a cozinheiro -- mandou deixar o almoço do dia por conta dele. Que beleza! É só aguardar, perguntar se há a necessidade de ajuda e relaxar. O dilema sobre onde comer foi resolvido. Agora é esperar a hora de resolver o local de amanhã. E vamos embora que o tempero da comida é a fome!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ligue o rádio

Ahhhh, a música... Todo momento pede uma. Não sei o que seria da vida das pessoas se ela não existisse. Falo sobre as músicas inventadas. As da natureza são para outro papo. Uma pessoa pára e resolve criar um som. Depois (ou antes) acrescenta um texto. Alguns os tiram do coração, enquanto outros o fazem somente por promoção. Mas o que mais importa é que existem ouvidos para todos os gostos. Cada um escolhe a trilha sonora da sua vida.

Quando se está triste, há quem busque uma música que remeta a alegria. Não é assim que gosto de fazer. Música triste para momentos tristes! Música feliz para momentos alegres! Não... Não existe música triste, nem tão pouco feliz. Somos nós que as moldamos de acordo com a nossa conveniência. Caracterização boa pode ser a de música reflexiva ou música vazia. Prefiro as do primeiro naipe, mas confesso que ouço as outras também.

E quando elas entram na vida e nunca mais nos abandonam? Existem canções que aparecem como se fossem uma namorada, quiça uma esposa. Ela é escutada algumas vezes até que você se dê conta de que está apaixonado. Ela te seduz, te inspira e te conquista. Te ensina, te acalenta e te tranquiliza.

Outras são que nem paqueras. Te atraem e te excitam. Te divertem e somem. Fazem parte da vida, mas têm seu espaço bem limitado. Não que elas sejam prescindíveis... Jamais. São elas que renovam o repertório.

Enfim, música é complemento. Se não tiver música, sempre estará faltando alguma coisa. Pensando bem, música é totalidade também. Porque se tiver música, talvez não falte mais nada.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

É aquele negócio...

Sol combina com mar
Picolé para refrescar
Piscina convida a brejar
Risada para a lua brindar

Tudo pensado de repente
Todos queriam viajar
Chegamos todos contentes
Que saudade daquele lugar

Relembramos os velhos tempos
Passado que queríamos voltar
Quem não estava nos movimentos
Pelos relatos conseguia imaginar

Hora de regressar
Vamos prosseguir
Devemos continuar
Mas então, para onde ir?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Negó de... ; É papo de...

Tudo estava programado. Muitas novidades viriam e a ansiedade era grande. Pegaram a estrada e a cada dia eles eram surpreendidos com a imensidade das belezas que a natureza exibia. Durante a viagem houve tempo para várias recordações: antigo amor e velha amizade talvez tenham sido as principais.

Loucuras, arrependimentos, lamentações, adrenalina... Difícil citar todos os sentimentos e fatos acontecidos. Todos ficarão guardados na mente para sempre. Todos pareciam saber que a vida é curta e é preciso viver o que se tem vontade, porque as oportunidades podem não aparecer novamente.

Passeios turísticos não foram o foco da viagem, mas aconteceram em demasia. Culinária apreciada, entrosamento regional estabelecido e divertimento regado a bebidas elucidativas.

Surpresas positivas e negativas. Não se pode, também, imaginar que tudo ocorreria como deveria. Mas eles souberam contornar o que fugiu do esperado. Isso somente quando ainda tinham expectativas.

“A vida é mais harmônica quando se conhece menos coisas”. A citação ficará para próxima. Tem horas que se quer conhecer tudo. A curiosidade quando se aguça parece não ter mais fim. E com as descobertas vêm as exigências. Chatice, envelhecimento, turrice... Talvez. Mas é só depois que se tem conhecimento que se torna possível a escolha. Regressar para aquele lugar é uma decisão que a partir daquele momento será tomada com embasamento suficiente. Que lugar diferente.

Quando um deles fugiu, pensou que não mais voltaria. Mas a vida dá voltas e lá estava ele depois de algumas temporadas. Pensou novamente em algo definitivo, mas a vida continuou a girar. Então, depois de muita tontura, ele decidiu não mais planejar.

Vá com deus, meu irmão. E volte logo. Grande abraço.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tá esperando o que?

Os dias passavam e eu nem via
As noites em claro eu contava
A vida era um filme que eu narrava
Mas de uma coisa eu sabia

Tudo muda a todo tempo
No final tudo é experimento
Aproveite o que puder
Se for legal, abra os braços para o que vier

O que parece simples não é tanto
Sofrer nem sempre termina em pranto
Um sorriso pode ser suficiente
Para você abrir os olhos e mudar completamente

Pense bem, não precisa ser assim
Para que ficar longe de mim
Nos damos tão bem
Sinceramente, não entendo o mal que isso tem

sábado, 23 de janeiro de 2010

O quê? Para quê? Onde? Será? Por que?

Quem nunca ouviu aquelas frases que dizem "mas ele tem tudo, não tem porque ficar assim" ou "tem tanta gente que passa por situações tão piores e você fica aí nessa" ? É triste pensar que alguém seja tão incapaz de compreender que a vida é feita de sensação, algo particular e que não varia de acordo com o que os outros acham. Isso também serve para as opiniões que são dadas como se tudo fosse receita de bolo. A fórmula para o sucesso, para felicidade ou coisa que o valha é individual e intransferível. Confesso que existem oportunidades nas quais são difíceis de acreditar nos motivos de tanta dor ou sofrimento. Por outro lado, vejo com clareza que expressar esse não entendimento é a pior coisa que podemos fazer com quem gostamos. Não seja inconveniente, seja afetivo. Não seja impaciente, seja comedido. Por fim, não seja descrente. Isso talvez seja o maior mal que pode ser causado a alguém.

A vida é uma onda. Certa vez, li, em algum lugar que não lembro, uma sugestão para que surfássemos nela. Que sacada fenomenal! No entanto, acho que para tanto é fundamental que se aprenda a surfar antes. Assim como no esporte propriamente dito, surfar na vida requer aprendizado e muitos caldos. E não acho que seja possível aprender com os ensinamentos dos outros. Cada um precisa acertar e errar suas dropadas até que se sinta confiante para descer em todas as ondas.

Cadê as respostas? Por que elas demoram tanto para aparecer? Será que a procura está sendo feita no lugar certo? Complicado encontrar respostas com novas perguntas. Desse jeito a mente não dá conta e joga tudo para cima. Outro dia, a certeza era que para nem tudo se tem resposta. Todavia, desistir de uma resposta para qual a pergunta já foi feita não é de fácil aceitação para quem escreve. Melhor era quando as perguntas nem surgiam... Que diabo de tanta curiosidade! Diante disso não resta alternativa; é papo de sentar, escrever e refletir.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Encontro

Existem poucas coisas melhores do que dormir. A depender das circunstâncias essa atividade se torna imbatível. Há aqueles que acham que dormir é perder tempo. Chegam até a dizer que quem dorme demais vive pouco. Acho que esses são os que mais gostam de dormir, mas por algum motivo de força maior só podem desfrutar pouco dessa maravilha. Dormir é gostoso, lúdico e milagroso. Sonhar acordado não chega aos pés do sonho enquanto se dorme, por exemplo. Existe algo mais inspirador do que dormir? Tenho para mim que tudo começa durante o sono. E não precisa ser comentado novamente que o sono é o melhor remédio para todos os males -- dos físicos aos espirituais -- não é?


Ahhh, acordar... Sensação de mais um dia começando. E isso independe do horário. O início do dia se dá na abertura dos olhos. Aqueles segundos de mente vazia -- que muitas vezes servem para nos situarmos -- são muito bacanas. Hora de lembrar, pensar e/ou improvisar o que será feito ao longo do dia. O sol não nasce, ele acorda. Imagine se ele morresse todo dia... Quem teve a oportunidade de estudar um pouco ou é minimamente informado sabe que ele apenas migra para o outro lado do planeta. Então, melhor dizer que ele dorme e acorda. O mesmo se aplica à lua. Por falar na estrela e no satélite, eles estão intimamente ligados à idéia de dormir e acordar. Em regra, pensar em sol é fazer alusão ao acordar. Na lua é saber que o dormir está a se aproximar. Cria-se, então, a disputa: é melhor dormir ou acordar? Se você preferir... O sol ou a lua? Fico com os dois. Talvez seja o amor mais sincero e cúmplice que existe. Eles se encontram todos os dias, com horário marcado! Sempre se respeitam e se brindam, sem orgulho e sem vergonha. Não é a toa que os casais adoram celebrar o amor no momento que denominaram de pôr-do-sol.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sensação

1 - Olá! Quanto tempo... O que fazes por aqui?

2 - Como vai? Estou passeando. Vim matar a saudade desse pôr-do-sol maravilhoso. Pelo visto você também gosta.

1 - Poxa! Gosto muito. Acho que me traz harmonia. Mas sim, você ainda trabalha com jornalismo?

2 - Trabalho naquele mesmo jornalzinho. Nada mudou por lá, exceto os colegas.

1 - E você não pensa em sair, nunca procurou outra coisa ou outro lugar?

2 - De jeito nenhum. Me sinto muito a vontade e bem quisto onde estou. Acho que é aquele lance de realização.

1 - Humm. Acho que você merecia coisa melhor héin? Você é tão talentoso. Não creio que ali seja lugar para você.

2 - Obrigado. Mas então, gosto do que eu faço.

1 - E a Bruna como está?

2 - Está ótima. A mesma menina encantadora de sempre. Não cansa de me fazer bem (risos).

1 - (sorriso sem graça) Que bacana. Vocês tão juntos há muito tempo, não é?

2 - Sim, estamos. Acho que assim continuaremos (risos).

1 - Bem... Vou indo. Bom revê-lo.

2 - Igualmente. Boa noite. Até mais.

Ela foi para um lado e ele seguiu caminho oposto. Ela não entendia o motivo de tanta alegria/satisfação. Ele pensava: "Poxa, não tive tempo de saber como anda a vida dela". O tempo que ela esteve perto dele parecia que nunca ia acabar. Já ele não sentiu passar. Por que será?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um dia como outro qualquer

São sete horas da manhã, hora de levantar. Para quem foi dormir às duas ou três, a tarefa torna-se uma pouco árdua. Ele coloca sua mochila nas costas com tudo que acredita precisar para passar as próximas longas horas fora de casa. Entrou no seu carro e saiu dirigindo apressado, pois o relógio o pressionava. No meio do caminho percebeu que faltava algo importante: dinheiro. Parou no primeiro banco que viu, saiu do carro e bateu com a cara na porta. O banco estava fechado. Irritou-se bastante. Como era possível, em plena luz do dia, um serviço tão importante como esse estar inoperante? Ele não se conformava, mas teve que partir por conta do seu atraso. Deu aquele suspiro de quem espera coisas melhores no decorrer do seu dia e procurou acalmar-se. Continuou dirigindo rápido, com pouca prudência. Cometeu alguns deslizes no trânsito e logo chegou ao seu primeiro destino. Lugar o qual não se sentia à vontade. Preferia um ambiente menos formal, mais alegre e descontraído. O dia mais uma vez não sorriu para ele. Conversa demorada, tecnologia aprontando das suas e o tempo passando. Mas dessa vez ele se comportou de forma paciente, afinal de contas era preciso realizar aquela visita. Ele já podia ir embora, mas sem o seu carro. Ficou acordado que este só seria entregue dentro de aproximadamente quatro horas. Recolocou sua mochila nas costas e saiu caminhando. No meio do caminho resolveu pegar um ônibus. Ir a pé demoraria muito. Embarcou no ônibus e chegou em menos de dez minutos. Ele estava faminto e se deparou com um cartaz oferecendo-lhe pães de queijo. Não pensou muito e pediu uma porção. Devorou-os velozmente. Caminhou pelo novo local, observando e apreciando o que para ele era novidade. Ligou para um amigo, para dizer que ali estava, mas não teve sucesso em encontra-ló. Buscou algumas informações e seguiu para um local onde pudesse se conectar ao mundo. Atualizou-se com as notícias do dia, ao tempo que comia biscoitos -- trazidos por ele na sua mochila. Faltavam poucos minutos para o trabalho mais importante do dia ter início. É pena que a bateria da sua máquina esteja terminando e ele terá que encontrar algum lugar para recarregá-la. Se isso não acontecer nos próximos poucos minutos as coisas vão se complicar. É... Parece que o dia não se cansa de colocar obstáculos no seu caminho. Mas ele não desiste e sabe que no final tudo vai dar certo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Tudo tem seu tempo

Hoje é dia de agonia
Mesmo sabendo que não adianta
Ir com pressa e pouca manta
Senão aquela coisa boa esfria

Passo é tempo pensando
No passado vou procurando
E dentre as muitas tentativas
Relembro as que foram mais positivas

O intuito não é repetir
Porque a vida já mudou
E não faz mais sentido insistir
Já que o antigo amor por ali ficou

Começar de um jeito diferente
É o que me soa mais inteligente
Para aprender eloquentemente
Que tudo depende da gente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Bolsa

A vida é um sobe e desce. De repente tudo ascende e parece que a tendência será duradoura. Os "is" vão recebendo os seus respectivos pingos e os trilhos são ajustados. Esses últimos levarão aos picos, que vão se transformando em fossos tamanha a velocidade de crescimento. O sinal verde está ligado e convida para novos desafios. Coragem não falta!

As conquistas são motivo de orgulho. Nada melhor do que planejar e conseguir alcançar o objetivo. Os meios podem ser modificados e isso é o que torna a vitória mais admirável. Mas para que mudar, correr riscos sem necessidade?! Está aí coisa que irrita. Do que vale fazer por fazer, porque é mais fácil, menos penoso, se a motivação vem da liberdade de escolher o caminho que se apresenta mais prazeroso? É aquele negócio...

Troféus... Ê objeto que gostam de expor! É a representação do sucesso! Parece mais a tentativa de auto-afirmação. Se isso não fosse eles ficariam guardados no armário, para que apenas o ganhador o visse. O vencedor não precisa bater no peito, nem sair por aí contando os seus feitos. Mais legal é quando se recebe congratulações despretensiosas. Tem coisa melhor que o reconhecimento? Lógico que tem. Sensação de dever cumprido, de esforço válido, até quando não é possível vencer. E é nessa que às vezes muitos se perdem e a ladeira muda de direção. Aperte os cintos!

Saber fracassar é uma virtude para poucos. Ainda mais quando isso ocorre de forma inesperada. Cada qual na sua estratégia de suportar a dor de uma derrota. Uns se fecham, outros pedem socorro. Não há o correto ou o errado. Pede-se, somente, cuidado com o orgulho. A vida adverte: esse predicado em demasia é prejudicial à saúde. Recomenda-se pular fora dessa.

E foi assim que ele continuou suas apostas na bolsa de valores, surfando nas subidas e também nas descidas. Ô?! Pensou que estava lendo sobre o quê?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Musicalidade

Menina, eu piro quando você passa, porque pensando bem, eu gosto mesmo de você. Quando a luz dos olhos teus me domina, me invade uma timidez que nunca me deixa cantar. Bom, não quero me sentir como naquele dia, no entanto também não quero ver tevê nessa janela. Olha lá o cara que vem do lado oposto, ele vai no cabeleireiro, no esteticista, malha o dia inteiro e tem pinta de artista. Cuidado para ele não pedir para que você risque o nome dele da sua agenda. Pense em mim que eu estou pensando em você. Eu sou um amante vagaroso, escondido. Você deve saber que existe alguém a te esperar. Você dificilmente percebeu quando eu tentei te mostrar, que a vida é para ser vivida, meu amor, como se você fosse uma estrela. Indo para algum lugar, onde você seja a única coisa que eu vejo, ninguém dirá que é tarde demais, porque nada é igual, tudo é tão novo... Juro que deixarei o verão para mais tarde! Todos têm muito para dizer, porém o ser humano erra. Sorria como se fosse verdade, pare de ficar pensando na vida, achando que ela não tem saída. Olhe que coisa mais linda, mais cheia de graça, vem pra cá! Essa pode ser a sua vida. Êta vidinha da boa! Todo amor contido em mim é um poema que sonhei ontem à noite. Aonde eu vou não sei, tudo que estou encarando é mais um caminho para seguir. Você me faz tão bem, meu amor... Saiba que eu vou andar no seu caminho, vou estar no sonho do teu sono, porque você é a melhor que eu conheço. Eu pensei nisso e coloquei para fora. Agora chega de tanta conversa para quem mereceu e dê cá um beijo seu.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Passeio

Ele estava sentado, observando o ir e vir das pessoas. O seu pensamento estava distante, do mesmo jeito que a sua rotina. Tudo era tão calmo que muita gente poderia se preocupar. Próximo a ele não havia conhecidos. Era de intrigar observá-lo. O que leva alguém a ficar parado horas e mais horas, num mesmo lugar, com o olhar desfocado e sem nenhuma pretensão? Para ele não interessava o que os outros achavam. Queria mesmo é assistir as horas passarem. Não se sentia cansado, mas também não encontrava disposição. A noite se aproximava. Percebeu que não era mais interessante permanecer naquele local. Levantou-se, pegou o seu tocador de músicas, colocou seus fones de ouvido e partiu. Mais uma vez, desligou-se do mundo. Caminhava pelo calçadão a passos lentos, desprovidos de destino. Foi então que parou numa barraca de praia e estabeleceu o primeiro contato do dia. Pediu um côco bem gelado. Seguiu em direção a uma mesa, acomodou-se numa cadeira, virado para o mar, e começou a beber sua água de côco. As músicas não cessavam. Eram uma espécie de trilha sonora daquele momento. De repente, aquela ausência de pensamentos objetivos terminou. Tudo por conta de uma canção que havia marcado um momento importante da sua vida. Ele não queria ser remetido àquela lembrança. Lamentou, soprou e por um longo tempo, ali sentado, chorou.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Largando de mão

Estava à toa na vida... Ah que negócio diferente sentir-me assim. Cabeça vazia, oficina do diabo, já dizia minha vó. Mas não se trata disso. Queria eu que assim o fosse. O que se passa, no entanto, é uma chuva de pensamentos, daqueles que se confrontam a todo tempo. Sucessões de frases que terminam em: "será?", ''por quê?", "mas não é possível!" ou coisa que o valha. Tento eu mesmo responder a todos os questionamentos, que são por mim feitos... engraçado isso. Quer dizer, maluquice retada. Às vezes me sinto num divã, falando sobre minha vida, minhas experiências, para mim mesmo. Tem hora que é legal fazer isso. É aquele velho papo chamado reflexão. Já em outras, cumpade (comadre), vale a pena citar aquele dito popular, "pernas para que te quero?!". Porém, não adianta correr, porque daí viria outro ditado, "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Pára, respira, medita, bebe água (ou cerveja... ou vodka.. ou uísque) e relaxa. Uma hora tudo volta para seu lugar. Ultimamente essa hora tem coincidido com o cansaço, seja mental ou físico. Gozado que essas horas -- as que voltam para o lugar e a do cansaço -- sempre insistem em ocorrer à noite. Parece que fico mais vulnerável. Por que ninguém liga para salvar a pátria, só para dizer boa noite talvez?! Juro que não deixaria a ligação ser tão breve. Logo diria para a ligadora (ou ligador, se não tiver jeito) para que ela segurasse a onda e me disponibilizasse um tempo, para que eu pudesse ficar sonolento.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Insônia

Certa noite me perdi
Num pensamento que me veio
Mas logo-logo me achei
Oh que triste devaneio

Rolava na cama impaciente
Tentando dormir rapidamente
Mas não adiantava ser insistente
Porque a lembrança era persistente
E do que valia resistir bravamente
Se já não era eu quem mandava na minha mente

Foi então que eu decidi
Que no papel que estava ali
Eu tentaria dividir
Com alguém que conheci
As angústias do existir
E minha tentativa de dormir

Por que será que não conseguimos
Por mais que tentemos
Esquecer o que queremos
Para na vida prosseguirmos?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Tente escrever sobre o AMOR

Que negócio difícil. Será o amor a mistura do carinho, zêlo, preocupação, saudade, ciúme, posse, afeto...? Tem tantas palavras que podem ser somadas, para se tentar chegar à palavra mágica, que acredito numa equação tendendo ao infinito. Só sei que tudo se resume nele. E em qualquer segmento da vida. Faz-se o que se ama, não o que se gosta. Porque gostar é coisa temporal e amar é para vida toda. Lógico que imagino ter uma mudança de foco, dentro do universo do amor. Conheço muitas frases bonitas sobre o dito cujo. E tem horas que cada uma se encaixa direitinho no momento que vivo. Saudade? "Amar é sentir saudade a todo o momento, mesmo quando se está perto de quem se ama". Afeto? "Afetuosidade é a tentativa de transmitir o amor que já está transbordando". Ciúme? "Quando eu acho que estou perdendo meu amor, eu sinto ciúme!".

Se tem um negócio de difícil substituição, o nome dele é amor. E eu vejo que é a coisa mais tentada pela humanidade. O pior é que as pessoas sabem que não é possível substituí-lo. Imagino que só o tempo tem esse poder, mas não de substituir. Acredito que ele possa transformá-lo em lembranças, desde que você descarte-o (o amor), ou melhor, reconheça que ele não é mais seu.

Dizem por aí que o amor é eterno. Já outros falam que é eterno enquanto dura. Difícil encontrar uma liga entre essas frases. Acho que a primeira é menos verdadeira do que a segunda, mas esta é uma forma de não fugir muito daquela! Medo de quebrar o tabu! Acho que é porque todos querem amar para sempre.

Sorrir sem ter porquê. Achar que tudo está dando certo. Sonhos que são vistos como questão de tempo para realizarem-se. Visualizar tudo como sendo muito fácil de resolver. Não sentir falta de nada... Alguns dos efeitos colaterais da sensação de estar amando.

Ah! Sabe aquelas frases bonitas que eu disse que se encaixam direitinho a depender do momento que estou vivendo? Inventei todas...

sábado, 9 de janeiro de 2010

O que os olhos não vêem o coração não sente...

Tem dias que eu fico pensando na vida... E de repente me perco pensando em frases/ditados que às vezes fazem sentido. Ou será que não fazem? A que intitula essa escrita me leva a crer que depende. Para muita coisa é necessário que eu veja, toque, sinta, para então poder aceitar, confortar-me ou mesmo reconhecer. E não acho que a falta da informação faça com que o sofrimento inexista. Verdade e sinceridade... Coisas importantes. Certa feita ouvi de um homem, -- ancião, bem velhinho -- que o que maltrata é a decepção. Ele tava querendo dizer que quando se é transparente, consegue-se tornar a dor menor. Assim que ouvi isso, logo pensei: é verdade. Não demorou muito e busquei exemplos, situações em que a transparência não seria tão boa. Para que mostrar tudo? E a curiosidade, onde fica? E com o zelo, o que faremos com ele? Mudei de opinião! Nem sempre precisamos ser exemplarmente transparentes. Você faz bem a si mesmo sendo... Não tenho dúvida. O problema é com o (a) outro (a). Esse (a) não tem escolha. Vai ficar sabendo/vendo se nós quisermos. E quem pensa nele (a)? Complicado...

Por que fazer bem ao outro antes de fazermos bem a nós mesmo? Porque nos faz bem fazer bem ao outro? Eu acredito no altruísmo, apesar dele poder ser bastante contestado. Mas tudo fica tão vazio quando imagino que ele não existe, que não passa de um egoísmo escondido. Acho bom acreditar em coisas utópicas, porque para mim só existe se eu acredito. É muito bacana ter suas crenças, por mais que elas sejam só suas.

A vida é fácil! Quantas vezes eu repeti isso para quem quisesse ouvir?! E ainda completava dizendo que somos nós quem complicamos. Hoje percebo que estava equivocado. Sinto que no máximo conseguimos facilitá-la um pouco. A vida é complexa e escolher é mais ainda.

Seja feliz! Tente sempre! Tristeza aparece e alegria se busca. É nisso que eu acredito. Viva a vida!