terça-feira, 26 de outubro de 2010

Trova

Amor, como você é bela
Amor, me espere na janela

Quando te olho eu vejo
Que está explicado porque eu gaguejo

Amor, é que o seu molejo
Espanta qualquer bocejo
E eu logo plenejo
Mesmo estando naquele lugarejo

Amor, tenho tanto a lhe dizer
Amor, prometa que não me fará sofrer

Estando ao seu lado eu me realizo
E é aquilo que eu sempre friso
Não há motivos para sair desse paraíso

Meu bem, tenha paciência
É que eu penso com bastante leniência
Acredite na minha mais pura decência

Veja, meu bem, está tudo certo
Meu coração não é mais aquele deserto
A vida agora é um longo caminho aberto
Daqui a pouco o que era longe ficará perto.

domingo, 24 de outubro de 2010

Certificado

Corri para te procurar
Achei que não iria falhar
Essa tentativa de contar
Que palpites iriam atrapalhar

Mas a vida tem dessas
Acontecem coisas inconfessas
E depois de tantas festas
As bobagens vêm às pressas

Fazer o quê
Se você quis crer
Quando o óbvio era perceber
Que jamais deveria se atrever

Foi acreditar naquele adereço
Comprou agora pague o preço
Porque existem paredes de gesso
E elas só fazem mudar de endereço.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Destempero

Sai fora
Vê se enxerga
Que passou da hora
Não posterga

Olhe em volta
É só tristeza
Me solta
Acabou a beleza

Não há explicação
Foi o que aconteceu
Haja com razão
Apenas o claro escureceu

Quanto ao futuro
Penso pouco
Sou mesmo imaturo
E quem sabe louco.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Engarrafamento

Chovia sem parar. No seu destino, ele não conseguia chegar. Se isso ocorresse quando ele era mais moço, com certeza iria se descabelar. No entanto, a experiência o fez relaxar, pois não havia remédio para aquela situação se encerrar.

Enquanto não chegava, os pensamentos fluiam. Por que diabos ali ele moraria? Não era a primeira vez que aquilo ele vivia. Jamais imaginou que com o tempo pioraria. Somente um enviado dos céus resolveria. Mas o conjunto de pensamentos a isso não se resumia.

A vida mudou. Quem um dia cuidou, bateu asas e voou. O rio que corria para o mar evaporou. O amor que parecia incessante em indiferença se transformou. O tempo passou, mas a lembrança ficou.

E ao destino ele não chegava. Era muita coisa que ele pensava. Culpados ele não achava. Sempre foi sensato, e essa lucidez não desperdiçava. Queria conversar com a nova amada. Saber o que afinal de contas se passava.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vai que dá

Que susto
Não foi um Augusto
Mas por pouco não me desajusto

Enxergo-me incrusto
Não gosto de muito custo
E brigo pelo justo

Percebi que sou apenas um arbusto
Com o meu passado adusto
E decidi criar um futuro robusto.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Demorou mas está chegando

Eu estou querendo
Na cabeça está tudo certo
Mas tenho que ir fazendo
Senão jamais ficarei esperto

Procuro a diferença
Entre querer e fazer
Percebo que está na crença
Porque é dela que vem o poder

Eu estou sorrindo
A vida está calma
Daqui a pouco eu brindo
E verei gente batendo palma

Havia o garantido e o duvidoso
Entendo bem o que aconteceu
Agora pouco me importa o invejoso
Ninguém vai bulir no que é meu.

domingo, 10 de outubro de 2010

Que Não Me Sai do Pensamento

O que será que acontece
Quando a gente adormece
Fico perdido na prece
Querendo que tudo regresse

E do nada a loucura
Com um misto de ternura
Lembro daquela doçura
Por que tanta fissura

Eu quero poder enxergar
Presto atenção no luar
Sinto algo chegar
Não poderia imaginar

Tudo é tão claro
Como é que não reparo
A demora me custou caro
Agora não tardo e declaro.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Acordar para vida

De volta para o aconchego
Liberto daquele medo
Com um pouco mais de apego
Sem sentir aquele gosto azedo

A vida se faz de louca
Eu finjo que durmo de touca
Agonia é coisa pouca
E minha voz já está rouca

Tanta coisa para aprender
Para que se aborrecer
O corpo até quis adoecer
Mas ele teve que se conter

Tudo foi verdade
Bom resgatar a humildade
Importante agora ter serenidade
Por acaso tinha medo de dificuldade?