quarta-feira, 31 de março de 2010

Investigador

Cadê você?
Vamos lá ver
O que será que vai acontecer?
Não tenho até o amanhecer

Se demorar vou sozinho
Não quero pressionar
Tampouco sou mesquinho
Pare de demorar!
Última vez que venho lhe comunicar...

Tá vendo?
Você ficou lendo
Fingindo que estava entendendo
Mas estava pouco se importando
Desesti de ficar lhe bajulando
Melhor que não sou atrapalhado

Depois de tudo averiguado
Chego às conclusões
Se antes tivesse chegado
Teria menos desilusões

Fugir para que?
Pelo menos eu vi
E agora vou embora daqui.

terça-feira, 30 de março de 2010

Vou embora

Viajar é uma atividade transcendental. As descobertas e os fatos vividos durante uma viagem parecem ter um significado especial. Tudo indica que isso ocorre porque sabemos que pode se tratar de uma experiência única ou que demorará para se repetir. Por isso aproveitamos o momento com bastante intensidade.

Como é bom contar histórias sobre viagens. Às vezes mais de uma vez, para as mesmas pessoas inclusive -- que não se importam em ouvi-las novamente. Expressões como "lembra daquela vez", "e lá não sei onde", já antecipam inúmeras lembranças. Ter feito parte da viagem nem sempre é necessário para visualizar o que se passou, tamanha é a quantidade de detalhes, contados com efusividade quando a história é boa. E quando você chega para narrar, diante de toda expectativa formada pelos amigos, parece que está fazendo novamente o que vai ser contado.

Cada viagem tem sua peculiaridade. As companhias dependem do destino. Logicamente, também dos propósitos. A escolha dos parceiros é de extrema importância para o sucesso da empreitada. Vontades que se coadunam é imprescindível. Definir uma programação básica é fundamental. Nada de planejar tudo nos mínimos detalhes. É legal permitir que ocorram improvisos e surpresas. Esses podem se tornar o clímax da viagem!

Está na hora de arrumar as malas e procurar um destino. Participar de novas histórias e preencher novos álbuns -- que não precisam ser materiais. Viajar mentalmente é bacana, mas em demasia cansa. Avião, ônibus, barco ou carro? Importa pouco viu? E aí, quem se habilita?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Está terminando/começando

Ontem eu fui lá
Não sabi o que buscar
Só queria encontrar
Uma razão para me formar

Vi que não é preciso temer
Tem muita coisa pra fazer
Basta não se esconder
Que as oportunidades irão aparecer

Ainda não dá para sair
Nunca pensei que tanto ia persistir
Muitas vezes deu vontade de sumir
Mas eu ainda estou aqui

Daqui a pouco chegará a hora do autor
Vou poder experimentar o sabor
Levar a vida de acordo com meu cursor
Enfim, poder voar como um beija-flor.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vai levando

Arriscar para que?
Pra ver no que vai dar
Insistir por que?
Porque é preciso conquistar

Como chegar lá?
Tentativa e erro
E se demorar?
Sem desespero

Será que vale a pena?
Se a alma não for pequena...
Onde buscar motivação?
Misture razão e emoção

Depois de muita dúdiva o conforto
É tanto cansaço que parece morto
Mas agora ele consegue enxergar
Que fez tudo isso simplesmente por amar.

quinta-feira, 25 de março de 2010

É isso mesmo

Entrar numa empreitada sabendo que vai durar pouco. O motivo pelo qual isso acontece é desconhecido. Quer dizer, nem tanto. As experiências sabidamente rápidas também atraem. Talvez dependam das intenções. Acreditar que o término dar-se-á em momento esperado pode encorajar a pelo menos começar. Por outro lado, as amarras podem deixar muitas pessoas receosas.

Bater o olho e achar que vale a pena. Atração, curiosidade ou ego? Tudo misturado. Muitas vezes após o experimento, nem todos os indutores são atendidos. Mesmo assim pode ter sido bom. Exigência demasiada tende a ser um erro. Cercar-se de cuidados também. Alguém inventou a frase "tudo demais é sobra" e acertou. Parafraseando não sei quem, o segredo está no equilíbrio.

Desde pequeno escuta-se os pais falando: "Está vendo? Eu disse para você não fazer isso"! Como se fosse válido inserir medo ou apenas proibir. Não adianta. Quebrar a cara faz parte do aprendizado, se for o caso. E deixar de fazer pode significar não descobrir algo legal. Teimosia nem sempre é negativa. Pelo contrário, ela chama atenção positivamente. Lógico que para ser teimoso -- que não preocupe ou chateie -- existem alguns pré-requisitos. O primordial é ter capacidade de discernimento. Não é qualquer pessoa que pode teimar e ser encarada com naturalidade. Ela precisa passar confiança a quem deve respeito e obediência.

Experimentar, investigar, teimar... Essas palavras parecem se relacionar de maneira harmoniosa. Despertam a atenção daqueles que tem interesse em viver em busca de momentos e emoções que não se restringem aqueles contados pelos outros. Daqueles que acreditam que toda vida tem sua peculiaridade e têm a sensação de que sempre há muito a se descobrir.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Que doçura

Não importa a idade
Amor é encanto e vaidade
É ter desejo e vontade
Sem perder a liberdade

Ele tem muito zêlo
Carrega uma grande admiração
De vez em quando tem pesadelo
Teme perder sua paixão

Ela é uma simpatia
Toda tímida, cheia de alegria
Sorriso cativante que contagia
Tem uma serenidade que irradia

De repente adormeço e não desperto
Como é bom tê-la por perto
Sensação máxima de preencimento
Sinto-me num sonho repleto de acalento.

terça-feira, 23 de março de 2010

Esqueça o destino

O sol me convida
Algo me impede de ir
Mas ela me motiva
Então tento persistir

Espero um pouco
Não pode ser agora
Ansioso como um louco
Sabendo que chegará a hora

Aproxima-se o momento
Ocorreu um imprevisto
Ao invés do lamento
A busca pela solução
Mais ainda do que isso
Fazer melhor do que a previsão

Depois de acabado
Ver que foi legal
Surpreendentemente inesperado
Com a certeza de que foi real
Fugindo um pouco do traçado
Superando o sonho mais natural

Geralmente acontece dessa forma
Ocorrendo tudo diferente de como imaginamos
Porque a vida não é uma norma
É apenas parecida com a maneira que sonhamos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O melhor

Ouvi um dia desses que só é possível esquecer uma mulher quando a transformamos em literatura. Gostei muito da frase, mais ainda do contexto em que ela foi dita. Acredito, porém, que essa não seja uma boa idéia para o esquecimento. Fazendo isso, congela-se a história para sempre. Literatura é para ser lida, e mesmo que para ninguém fosse mostrado, o efeito prático seria a perpetuação. Momento bom para transformá-la num texto, seria quando se tivesse a intenção de lembrar uma época bacana, diante de uma situação que não envolvesse lamentos e tormentos. E foi nessas circunstâncias que a frase foi proferida.

Outra coisa muito sábia que li foi a definição de saudade. Segundo o autor, saudade tem algo de auto-acusação e arrependimento. Pareceu-me meio óbvio o que ele quis dizer, mas depois de muito pensar sobre isso, me embaracei. Imaginei que ele pudesse estar acusando-se. Em outro momento, pensei em algo ligado a reconhecimento. Talvez tenha vivenciado algo que foi tão legal e poderia ter aproveitado com mais intensidade. São tantas interpretações possíveis... Poder conjecturar sobre o que os outros escrevem é maravilhoso. Sobre o que os outros dizem também é bacana, mas perde para o que lemos. Às vezes é chato, porque ao vivo as falas são complementadas por expressões faciais, entonações... Quem ouve entende o que quer e nem sempre lhe dar o direito de contradizê-la.

Esquecimento... Saudade... Recordações. Outra definição para saudade: "presença dos ausentes". Fantástica! Então, para arrematar, junto o esquecimento com a saudade, numa outra definição mágica. Essa é do mesmo autor da definição do segundo parágrafo. " A melhor medicina contra saudade é a falta de memória". Se ficou curisosa(o), procure saber quem disse isso. E se tiver tempo, leia tudo que ele escreveu durante sua vida. Vale a pena!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Vem pra cá

Quando tudo parecia acabado
Logo na hora dele mostrar-se mudado
De dar uma passo em direção a vida nova
Ela aparece e apenas comprova
Que o amor sempre se renova
Que sem ele a vida é uma cova
E é só ele aparecer novamente
Nem precisa ser de um jeito convincente
Basta acontecer de uma forma surpreendente
Para que o dia-a-dia seja vivido magnificamente
Mas se de repente ele voltar a fugir
Se esconder onde ninguém consiga descobrir
Ele vai fazer suas malas e partir
Começar tudo do zero para um novo amor surgir.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Peça para sair

Mal começou e já está cansado
Para o relógio olhou e ficou desesperado
Era o último dia de descontentamento
O próximo seria de puro lamento

Vai ou não vai?
Entra ou sai?
Já passou a hora disso
Agora é questão de compromisso

De outra vez pense melhor
Outras coisas podem ser mais relevantes
Por que decidir pensando no pior?
Esses receios são muito irritantes

Falta pouco
Não fique louco
Depois será só alegria
Prometo que vai acabar essa agonia.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Amor

O relógio segue o tempo
Ele sempre está em movimento
Acelera quando é bom o vento
Retarda se é ruim o momento

Todos percebem essa tendência
Uns encaram com mais sapiência
Sabem que não se trata de pertinência
Ou talvez tenham mais experiência

Não é possível controlar a velocidade
Ah se dependesse apenas de vontade
As alegrias durariam a eternidade
Mas inexistiria a novidade

Difícil mudar o que está prazeroso
Niguém troca o certo pelo duvidoso
Porque não faz sentido ficar curioso
Se desfruta-se do sentimento mais valioso.

terça-feira, 16 de março de 2010

Primeiro amor

Abriu a porta
Saiu correndo
Desceu as escadas
O que estava acontecendo?
Ela estava morta
Só que de vergonha
Que paixão torta
Amor sem escalas

Tinha muito para dizer
Disse que era fácil perceber
Ele não se reconhecia adivinhão
Passou foi tempo
Ainda dá para aproveitar
Será?

Fé havia demais
Os fatos ficaram para trás
Sonhar mal não faz
A vondade é perspicaz
Vai ou não vai?

Hummmmm
.
.
.
Sei não héin?

Coragem sumiu
Crença correu
Coração sentiu
Choro desceu.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Deixe de pressa

É importante ir conhecer
Pelo menos para ver se estava certo
Se foi lá e não deu outra
Da próxima vez fique esperto

Ir embora antes de entardecer
Para que ficar se não está bom
Lá mais parecia uma pilastra
Vá em busca de outro som

Chegou na praia após longa caminhada
Quase desistiu no meio da jornada
Por fim não viu o que esperava

Essas coisas às vezes acontecem
Bobagens que nem entristecem
Mas ensinam a ter paciência e amadurecem.

domingo, 14 de março de 2010

Otimismo

Sentado no parque observando a paisagem
Perdido em pensamentos que formam miragens
A lua e as estrelas sobre a sua cabeça
Mais nenhuma presença para evitar que enlouqueça

Tudo isso porque há uma ferida em seu coração
Sua maneira de curá-la é buscando a solidão
Não adianta adverti-lo dizendo que esta não é a solução
Ele nunca desiste de seguir a sua intuição

Nasce o dia, mais lembranças
Em qualquer coisa que aconteça ele vê semelhanças
E as comparações são inevitáveis

Quando será que novos rumos aparecerão
Que ele verá que tinha razão
E que seus sonhos ainda são realizáveis?

sábado, 13 de março de 2010

Isso é uma loucura!

Sentir sono nem sempre é vontade de dormir
Calor não significa altas temperaturas
O corpo e a mente às vezes precisam mentir
Essas sensações são sinais de péssimas conjecturas

Rolar na cama impaciente não faz com que a situação melhore
Pense em coisas boas, em passeios infindáveis
Não espere por respostas, apenas ignore
Sem explicação, nos culpamos ou buscamos confortos inimagináveis

O tempo não consegue apagar o que nós não descartamos
Simplesmente porque no fundo ainda esperamos
E não interessa se você está certo do que fará
Pode ser apenas uma vitória que deseja conquistar

A vida ora é cíclica ora é imprevisível
Curtir em ambas as situações é imprescindível
A experiência adquirida será útil para sempre
Tudo é aprendizado, acredite nisso cegamente.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Tudo errado

Consumir compulsivamente. Era essa a sua mania, desde muito pequeno. Foi criado em meio à fartura, num ambiente onde a palavra limite não era bem-vinda. Para ter, bastava querer. E assim ele construia a sua felicidade. Achava que todos podiam levar a vida dessa maneira. Sua educação não lhe apresentou diferenças sócio-econômicas. A desenvoltura que lhe era característica marcante não costumava lhe acompanhar fora do seu habitat surreal.

O tempo passou e pouco mudou no seu comportamento. Casou-se com uma mulher de fora do seu mundinho. Logo tratou de transportá-la, não deixando opção. Ela adorou a mudança. Agora, possuia poder e dinheiro. Transformou-se numa madame e em muitas ocasiões negou as suas origens. Abandonou sua carreira e virou dona de casa. Os filhos vieram, a família cresceu e as primeiras dificuldades apareceram. Inicialmente, resumiam-se ao tempo. As crianças demandavam cuidados e já não era possível que os pais vivessem somente para eles. Eis que a palavra limite aparece com força total. Para quem não estava acostumado o impacto foi grande e o desconforto maior ainda.

Discussões, brigas e competição. Essa passou a ser a rotina. O amor entre o casal não tinha mais espaço. Acusavam-se a todo momento. Um achava que o outro fazia menos que podia em prol do coletivo. O marido imaginava que cumpria o seu papel, por ser o responsável por trazer o sustento da casa, com o suor do seu trabalho. A esposa sentia-se cansada, sobrecarregada com as tarefas diárias do lar. O arrependimento sempre transitava em seus pensamentos. Ela não entendia o que a levou abandonar sua profissão. Suspeitava que se deixou levar pelo comodismo. Ele passou a conviver com o insucesso profissional. Os problemas familiares interferiam no trabalho. A empresa da família não andava bem. Parecia que o pesadelo só estava começando.

O que antes era um hobby, com os problemas virou fuga. O consumo inveterado preenchia os vazios. Só que agora as circunstâncias eram diferentes. Os recursos estavam limitados. Restrições de todos os lados. E as trocas de farpas viraram corriqueiras. Vigília sobre os gastos do cônjuge. O inferno parecia ser o próprio lar. Relacionamento perdido, filhos infelizes e futuro temido. O ciclo parecia não ter fim. E eles se perguntavam como e por que as coisas desencadearam para esse caminho.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Química

Água para refrescar o calor
O sol para iluminar o dia
Beijos para dar vazão ao nosso amor
Carinho e aconchego para minha alegria

Coberta para nos proteger do frio
Filme para entreter o nosso romance
Abraço apertado que não fica nem um vazio
Doçura, ternura e sorriso provocante

Não consigo ficar um minuto longe de você
Penso no que fazer para seu o amor sempre merecer
Dou-lhe flores e me mostro seguro
De que ao seu lado quero construir o meu futuro

Conhecemos-nos há tão pouco tempo
Apesar de parecer uma eternidade
Quero você a todo momento
Diga-me que também represento a sua felicidade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Até Logo!

Hoje eu acordei com vontade de cantar
Ontem eu sonhei com você vindo me beijar
Não queria de jeito nenhum levantar
Mas já que era preciso, os males fui espantar

Sabe quando você se pergunta se é verdade
Quando dentro do sonho há muita realidade
E de repente você desperta sem ter vontade
Descobrindo que tudo aquilo era saudade

Ô, Saudade, por que você não me abandona
Por que vai e vem como se fosse uma onda
Enquanto você não vai meu coração fica fechado
E eu não consigo viver sem estar apaixonado

Desculpe te pedir para ir embora
Talvez volte a te procurar outra hora
Não estou sentido sua falta agora
Ô, Saudade, vê se não demora.

terça-feira, 9 de março de 2010

Colorindo a vida

Chovia muito. Ela precisava chegar ao colégio. Era dia de sua última avaliação do ano. Passou as últimas semanas estudando, de modo que nunca havia feito antes. Tinha a oportunidade de entrar de férias logo após a prova. Diga-se de passagem, quando voltasse não mais seria ao colégio, mas sim -- se tudo desse certo -- à universidade. Tentará ser desenhista. Criar situações mais bonitas do que estava acostumada a ver no dia-a-dia era o seu sonho. Durante muito tempo, também pensou em ser professora. Queria ensinar tudo aquilo que aprenderia durante a vida às crianças -- outra adoração que possui. Mas a paixão pela criação falou mais alto e ela decidiu que vai aprender e se aperfeiçoar em colorir as imagens que voam de sua mente em direção ao papel.

Entrou no metrô temerosa que não desse tempo de chegar ao colégio. O ônibus havia atrasado por conta do engarrafamento. Uma senhora que estava sentada ao seu lado, percebendo sua aflição, indagou-lhe o motivo. Após ficar sabendo, abriu um sorriso sereno e tentou confortá-la. Disse-lhe que quando tudo parece perdido é que nos superamos e fazemos o que precisamos com mais sabedoria. E que as pessoas do bem recebem ajuda donde nem imaginam ser possível. Apesar das palavras bonitas e do ar de confiança transmitidos pela anciã, ela continuava ansiosa. Foi, então, que resolveu colocar no papel a ilustração de tudo que passava pela sua cabeça. Ao final do desenho, o que podia se observar não era nada pessimista. Via-se uma garota, carregando uma pasta, muito bem vestida, dirigindo-se a uma reunião de negócios. Era o sonho mostrando-se mais forte do que o pesadelo. Ela tinha o dom de transformar as situações difíceis pela quais passava num futuro idealizado. Isso através da arte que lhe acompanhava, que para ela era onde morava a verdade.

Desceu do metrô e correu como se fosse uma velocista profissional. Chegou a sala de prova alguns minutos atrasada. A professora abriu uma exceção e permitiu que ela fizesse a prova. O resultado nem precisa ser dito. A senhora já havia "profeciado".

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cartilha

Se a vida apresentar-se difícil, vou mostrar que não é bem assim. Caso ela insista, provarei que tudo depende de mim.

Se tentar e não conseguir, não será da primeira vez que vou desistir. Repetirei e em caso de novo fracasso, ainda deverei insistir.

Se eu fizer uma graça e sorrisos não arrancar, buscarei entender para melhorar. Quero risos espontâneos, que também possam me alegrar.

Se algo for pedido, espero que a resposta seja sincera. Só quero sua presença se você quiser estar comigo. Prometo que vou entendê-la. Antes de mais nada sou seu amigo.

Se decidir vir ao meu lado, tentarei ser fiel ao que tinha falado. Talvez eu mude, mesmo sem querer. Espero que você me dê força e possa entender.

E se todos esses poréns fizerem parte das nossas vidas, significa que tentei ser transparente. Evidenciei quais seriam minhas atitudes, meus desejos e o que me deixaria contente. Depois não me culpe.

domingo, 7 de março de 2010

Ponto de vista

Lembrou que hoje era dia de decidir. Muito tempo passou, mas ele ainda não sabia o que fazer. Pobre daqueles que não podem escolher, muitas vezes não têm uma opção sequer. Ele, então, resolveu ir passear. Procurou um lugar que pudesse lhe iluminar. Caminhou em direção ao cais, melhor lugar para admirar o luar. Pediu ajuda aos seus anjos da guarda. Esse momento definiria como seria, no mínimo, os próximos cinco anos de sua vida.

O que priorizar: carreira, família - inclusive a que ele pretendia construir - ... Ou tentar conciliar tudo, continuar da maneira que ele vinha fazendo? Ele conversava, apesar de estar sozinho. As respostas eram silenciosas. Na sua balança o equilíbrio não existia. Ela não parava de oscilar. Era evidente que a oportunidade que apareceu ia além de tudo que ele sonhava. Renderia uma vida muito confortável, dinâmica e aventureira. No entanto, ele não poderia levar consigo o seu grande amor. O ofício exigiria um estilo de vida nômade e talvez ela não estivesse disposta a abandonar seus planos e sonhos para viver a vida dele.

Chegou a hora de contar sobre sua decisão. Por telefone, disse que precisava conversar sobre algo importante. Ele não estava certo do que estava fazendo. As horas que antecederam o encontro foram angustiantes. Pegou o carro e foi em direção ao local combinado. Durante todo trajeto ele chorava de soluçar. Parecia uma criança, sem nenhuma proteção. O medo juntava-se ao desespero. Ele temia a reação que ela poderia ter.

Ficaram frente a frente. Seus olhos estavam marejados. Ela estava ansiosa. Não demorou e ele disse o que precisava. Aos prantos, ela não acreditava. Perguntava os por quês, chamava-o de egoísta e lhe atribuia o término dos seus sonhos. Ele ficou muito desapontado. Não entendia como uma pessoa, que dizia amá-lo, dissera-lhe tantas barbaridades. A partir disso, ele refez seu conceito de egoísmo.

sábado, 6 de março de 2010

Corra atrás!

Contabilize, audite
Descanse, medite
Volte que ainda não acabou
Fuja que a paciência esgotou

Leia, escreva
Faça sol ou chuva
Sempre se atreva
Continue, descubra

Faça o que quiser
Seja corajoso e transcenda
Encare o que vier
A vida está aí para que você aprenda

O melhor não é o mais sofisticado
Nem pense que é o mais idolatrado
É aquilo que é mais prazeroso
Que se apresenta auspicioso.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mas que coisa!

Penso em algo e está lá
Sem querer vou procurar
Será que em todo lugar vou encontrar?
Só tomando um suco de maracujá

Juro que me indignei
Nem queira saber o que pensei
Por um instante surtei
Acho que para o inferno eu irei

Alguém me explique
Nunca fui de dar chilique
Mas dessa vez passou do limite
Parece perseguição, talvez eu abdique

Desse jeito não dá
Estou ficando louco
Saia de perto de mim
Já estou ficando rouco!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Tudo na vida é calma

Estudar não me anima
Trabalhar menos ainda
Difícil acostumar com a rotina
Boa novidade seria bem-vinda

Queria poder recomeçar
Mas dessa vez acredito que não dá
Nem sempre é preciso mudar
O que me resta é esperar no sofá

Sei que tempo não há de faltar
Paciência é a minha nova virtude
Daqui a pouco algo legal vai pintar
Ansiedade deixarei na juventude

Acho que acertei no passado
Decidi até sem muito embasamento
Sempre me orgulho de ter mudado
Desse jeito é que vejo meu amadurecimento.

terça-feira, 2 de março de 2010

Surpreendido em plena fuga

Seis e meia da manhã. Restam poucos minutos para que ele possa se despedir dos amigos e familiares que o levaram ao aeroporto. Abraços e beijos apertados, pois eles não sabiam quando poderiam fazer aquilo novamente. Ele sentia falta de alguém importante.

Ele estava partindo para ir em busca do seu futuro, que acreditava não mais estar naquele lugar. Sua vida andava sem graça. Tudo era repetitivo e monótono. Ainda carregava uma grande tristeza no coração. O incerto dava a motivação que ele precisava para tentar reencontrar a felicidade.

No destino alguns amigos o aguardavam. Foram eles que apontaram essa opção para dar uma mexida em sua vida. Após quatro horas de vôo, uma nova etapa se iniciaria. Durante a viagem seu olhar não piscava. Ele observava pela janela aquele horizonte límpido e um filme passava na sua cabeça. Os erros e acertos que ele julgava ter comedito. Alguns arrependimentos por ter deixado de fazer coisas que talvez fizessem com que ele nem viajasse. Ele também pensava nas pessoas queridas que estava deixando. Muitos tentaram, de todas as formas, fazer com que ele desistisse da idéia. Quando menos esperou, seus pensamentos lúcidos misturaram-se aos seus sonhos. Adormeceu e só acordou com o chamado da aeromoça informando que haviam chegado e dando as boas vindas. Pegou suas bagagens de mão e correu para frente da aeronave. Era muita ansiedade... Ele queria ser o primeiro a descer. Imaginava quem estaria aguardando no saguão. Ainda precisaria pegar o restante das bagagens!

Uma festa tinha sido montada para recebê-lo. Quase uma dezena de amigos esperavam-no com apitos e cartazes. Quando ele apareceu, começou a barulhada. Nunca imaginou tamanha recepção. Até quem não falava com ele há anos apareceu. Foi carregado no colo, ganhou muitos abraços e beijos. Avisaram-no que no carro havia uma grande surpresa. Chegando lá, ele custou a acreditar. O amor que o havia renagado, duas semanas antes dele embarcar, ali estava.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Como uma pedra

Que dia maravilhoso
Que calor horroroso
Fazer o que senão buscar o refresco?
Queria mesmo era voltar ao período carnavalesco

De volta à rotina
Trânsito, engarrafamento e muita buzina
Mal começou e já desejo que acabe
Acho que nasci para ser vagabundo, sabe?

Viajar e farrear
Dançar, namorar
Cantar e gargalhar
Dormir sem ter hora para acordar

Haja delírio
Nem tudo são flores
Não se vive só de amores
Está de volta o martírio.